Muito se comenta sobre o que teria acontecido se dois dos mais fortes nomes da Fórmula 1 tivessem se juntado: Ayrton Senna&Ferrari, duas lendas que poderiam ter proporcionado momentos únicos na história da categoria. Senna declarou que tinha o sonho de pilotar para a Ferrari; a Rossa por sua vez nunca escondeu seu interesse no "Mágico" piloto brasileiro. O próprio Enzo Ferrari não só uma vez expressou sua admiração por Senna e o desejo de tê-lo em Maranello.
Houveram diversas conversas concretas durante a carreira de Senna, entre ele e representantes da escuderia do cavallino rampante, desde 1984, quando John Surtees, campeão do mundo com a Ferrari em 1964 escreveu uma carta a Enzo Ferrari pedindo e recomendando a contratação de Ayrton pela equipe italiana. No momento, por questões contratuais não havia como fazer isso, e apesar do comendador elogiar Senna, declarou estar satisfeito com sua dupla de pilotos na época, Michele Alboreto e René Arnoux.
A seguir transcrevo uma das mais completas matérias sobre o assunto, de autoria de Alexandre Knapen.
Ayrton Senna e a conexão Ferrari
Em 1984, Ayrton Senna saltou no grande circo da Fórmula 1 com o pequeno time inglês Toleman após alguns testes para Williams, McLaren e Brabham. Foi com a Toleman que Senna mostrou seu talento para o mundo e atraiu toda a atenção após alguns resultados incríveis naquele ano.
Ayrton Senna quase conquistando seu primeiro GP em Mônaco em 1984
Alain Prost e Niki Lauda, tinham neste campeonato o seu poderoso McLaren Tag Porsche. A Ferrari, por outro lado, estava em um ano de transição, vencendo apenas uma corrida na mão de Michele Alboreto em Zolder (GP da Bélgica).
Em 12 de maio de 1984, a Mercedes Benz realizou uma corrida para promover o novo Mercedes 190E no novo circuito de Nurburgring. Foi a corrida inaugural do novo layout do circuito. Todos os possíveis campeões de F1 e grandes nomes participam do que deveria ser uma simples corrida de exibição. Apenas um homem estava lá para mostrar ao mundo que ele era o melhor: Ayrton Senna. Em condições de chuva, ele ganhou a corrida na frente de Lauda e todos os outros. Senna era um homem feliz, em um carro igual ele derrotara todos os melhores pilotos de F1 naquele dia.
Lauda foi o único naquele dia que levou Senna a sério durante a corrida, oferecendo-lhe alguma resistência.
Um de seus "oponentes" ficou hipnotizado pela performance do brasileiro, o campeão mundial de F1 de 1964, o grande John Surtees. "Big John", que venceu seu campeonato com a Ferrari, ainda estava em contato com a Scuderia e prontamente escreveu uma carta a Enzo Ferrari pedindo-lhe que assinasse com Senna na equipe. Infelizmente não adiantou.
"SENNA É UM JOVEM PROMISSOR QUE É MUITO FORTE, E TODOS CONCORDAMOS COM ISSO. MAS NÃO TENHO MOTIVOS PARA RECLAMAR DE ARNOUX." ENZO FERRARI
Mais tarde naquele ano, o GP de Mônaco foi realizado em 3 de junho de 1984 em condições terríveis e quase foi vencido pelo jovem Senna, que (depois que a corrida foi interrompida por Jacky Ickx) finalmente terminou em segundo atrás de Prost. Depois da corrida, Enzo disse à imprensa italiana que: "Senna é um jovem promissor que é muito forte, e todos concordamos com isso. Mas não tenho motivos para reclamar de Arnoux".
Na verdade, o Commendatore estava apenas protegendo sua equipe e os pilotos. Afinal, Alboreto já havia vencido o GP da Bélgica no início da temporada e Arnoux havia vencido várias corridas em 83 com a Ferrari. Então, o que se pode pensar da declaração de Enzo, Senna era apenas um novato e os dois pilotos da Ferrari já eram confirmados vencedores de GP.
Tenha em mente também que a imprensa italiana estava interessada em sugerir mudanças de pilotos e faziam questionamentos quando a Scuderia tinha resultados ruins. Ferrari queria manter a coesão em sua equipe.
Estas foram as primeiras conexões entre "il vecchio" e a "estrela em ascensão" da F1 em 1984.
Os pilotos da Ferrari em 1984, Michele Alboreto e René Arnoux em Mônaco.
A pertir de 1985, Senna estava dirigindo pela Lotus, conquistando suas primeiras vitórias e pole positions. Ele agora era considerado um dos melhores e seu apelido "Magic" já era bem merecido. Mostrando habilidades impressionantes e uma velocidade raramente vista antes dele, Senna era o piloto mais procurado. Seu contrato de dois anos com a Lotus estava chegando ao fim no final da temporada e Senna estava procurando sua melhor opção para 1987.
A Ferrari, depois de uma boa temporada em 1985 (onde Michele Alboreto terminou como vice-campeão do novo campeão mundial Alain Prost da McLaren), não estava tendo um bom tempo em 1986. Sem vitórias, nenhuma confiabilidade e quase nenhum pódio.Completamente superado pelos 3 grandes times ingleses (McLaren, Williams e Lotus), algo tinha que ser feito para colocar os "Reds" de volta aos trilhos novamente.
Logo após o GP da Bélgica em Spa Francorchamps (uma corrida que Senna venceu em 85) no final de maio, Senna, que já havia vencido o GP da Espanha naquela temporada, foi convidado pelo próprio Enzo Ferrari para ir a Maranello para visitar a fábrica da Ferrari, a sede da Scuderia e ter um encontro pessoal com ele.
Ayrton Senna e Piero Lardi Ferrari (filho de Enzo Ferrari) em Imola em 85. As relações entre Senna e os membros da equipe italiana sempre foram boas, e ele falava italiano. Ele aprendeu durante seus anos de kart na Itália no final dos anos 70.
É claro que Senna aceitou o convite (quem recusaria?) E foi até Maranello para encontrar o "Comandante". Ayrton amava a Ferrari e, como quase todos os pilotos do mundo, queria dirigir por ela. (Ele mesmo falou sobre a Ferrari em alguns dos vídeos de seu primeiro teste de F1 em 1983 com Williams, McLaren e Toleman).
Enzo disse à imprensa italiana após a reunião: "Senna veio para cá depois do Grande Prêmio da Bélgica, mas para 1987 não conseguimos chegar a acordo. No entanto, continuo confiante de que poderemos tentar novamente no futuro". Curiosamente, na mesma declaração, ele acrescentou: " Ele é, sem dúvida, um grande piloto, mas não estou convencido sobre o homem."
Para quem conhece um pouco da história da Ferrari, tem que entender que (infelizmente) Enzo não queria Senna em sua Scuderia. Pode ter sido uma decepção amarga para Senna na época, mas sabendo o que a Ferrari fez em 1987 e 1988, e o que Senna fez nesses mesmos anos, acho que ele não se arrependeu.
Ayrton Senna e Ferrari estavam interessados um no outro, infelizmente, exceto uma reunião entre Enzo e Senna em maio de 1986, nada realmente deu frutos.O que aconteceu neste ano foi o mais próximo de Ayrton Senna dirigindo pela Scuderia Ferrari.
"O CAMINHO A SEGUIR FOI SIMPLES ... EU TIVE QUE RECRUTAR O QUE HAVIA DE MELHOR EM TODOS OS SENTIDOS NO ESPORTE. EM UM ANO, COLOCAREMOS A SCUDERIA DE VOLTA AOS TRILHOS". CESARE FIORIO
Primeiro colocar as coisas em um contexto muito necessário... Inverno 88-89, a Ferrari está em uma situação muito complexa e delicada. Enzo Ferrari, o "Commendatore" faleceu em 15 de agosto de 1988 e deixou sua amada Scuderia órfã. Uma violenta guerra de sucessão começou dentro de Maranello que desestabilizou toda a empresa e sua organização. Além disso, os resultados da Ferrari na F1 estavam se deteriorando desde 1979.
A FIAT, dona da Ferrari desde 1969, queria resolver as coisas o mais rápido possível e colocou Cesare Fiorio no controle. Fiorio, nascido em Turim em 1939, era o homem de confiança da FIAT. Antes de chegar à Ferrari em 1989, ele ganhou tudo possível em rali com a FIAT nos anos 60 e 70 e depois com a Lancia nos anos 70 e 80, tanto em corridas de rally quanto de resistência. Infelizmente, quando Fiorio começou a trabalhar para a Ferrari, a lendária Scuderia era apenas a sombra do que fora uma vez...

Cesare Fiorio, o homem que tentou contratar Senna para Ferrari, com o nariz de Nigel Mansell F1 640, vencedor do GP Brasil de 1989 no Rio.
Vejam por si mesmos: 1980 e 1986 foram duas das piores temporadas que a Ferrari já competiu e em 1982 os fãs viram a brutal morte do favorito da Ferrari, Gilles Villeneuve. 1982 também viu o fim da carreira do piloto francês da Ferrari, Didier Pironi, na Alemanha. Em 1985, Ferrari e Alboreto tiveram uma primeira metade da temporada triunfante, com 2 vitórias do piloto italiano. Mas a segunda metade da temporada viu a Scuderia cair no esquecimento e Alboreto perdeu toda a esperança antes do final do ano."O CAMINHO A SEGUIR FOI SIMPLES ... EU TIVE QUE RECRUTAR O QUE HAVIA DE MELHOR EM TODOS OS SENTIDOS NO ESPORTE. EM UM ANO, COLOCAREMOS A SCUDERIA DE VOLTA AOS TRILHOS". CESARE FIORIO
Primeiro colocar as coisas em um contexto muito necessário... Inverno 88-89, a Ferrari está em uma situação muito complexa e delicada. Enzo Ferrari, o "Commendatore" faleceu em 15 de agosto de 1988 e deixou sua amada Scuderia órfã. Uma violenta guerra de sucessão começou dentro de Maranello que desestabilizou toda a empresa e sua organização. Além disso, os resultados da Ferrari na F1 estavam se deteriorando desde 1979.
A FIAT, dona da Ferrari desde 1969, queria resolver as coisas o mais rápido possível e colocou Cesare Fiorio no controle. Fiorio, nascido em Turim em 1939, era o homem de confiança da FIAT. Antes de chegar à Ferrari em 1989, ele ganhou tudo possível em rali com a FIAT nos anos 60 e 70 e depois com a Lancia nos anos 70 e 80, tanto em corridas de rally quanto de resistência. Infelizmente, quando Fiorio começou a trabalhar para a Ferrari, a lendária Scuderia era apenas a sombra do que fora uma vez...
Cesare Fiorio, o homem que tentou contratar Senna para Ferrari, com o nariz de Nigel Mansell F1 640, vencedor do GP Brasil de 1989 no Rio.
Fiorio lembra: "Com seis vitórias nos últimos quatro anos (ele está errado aqui, a Ferrari marcou apenas 5: 2 em 1985, 2 em 1987 e 1 em 1988) nós precisávamos começar tudo de novo a partir de uma folha em branco. Mas com o apoio da familia FIAT, não temo nada". "O caminho a seguir foi simples ... Eu tive que recrutar o que havia de melhor em todos os sentidos no esporte. Em um ano, colocaremos a Scuderia de volta aos trilhos".
Antes de sua morte, Enzo Ferrari assinou com o austríaco Gerhard Berger (que venceu 3 vezes em 87/88) e Nigel Mansell (o inglês quase ganhou o título em 86 e 87 com sua Williams Honda). John Barnard, designer-chefe da McLaren Tag Porsche, já estava em um projeto revolucionário para 1989. Essa era a situação na qual Fiorio começou seu trabalho com a Ferrari no final de 1988.
1989: Nigel Mansell e Gerhard Berger com o protótipo Ferrari 639, uma criação de John Barnard com a primeira transmissão semiautomática na F1.
"SENNA JÁ TINHA UM CONTRATO ASSINADO COM A MCLAREN PARA 1990 E ELE NÃO CONSEGUIU QUEBRÁ-LO POR MUITAS RAZÕES." CESARE FIORIO
"Em 1989 tivemos dois pilotos excelentes na equipe: Berger e Mansell", diz Fiorio, "Mas obviamente a McLaren era melhor com Ayrton Senna e Alain Prost. Parecia lógico fazer o possível para contratar esses dois pilotos por duas razões: nos reforçar e enfraquecer o adversário".
"Nos meus dois primeiros meses na Ferrari eu fiz contato com Prost e Senna. Minha filosofia era a mesma de quando eu estava no rali. Eu nunca quis estar cercado por um punhado de advogados nem ter que escrever contratos de 200 páginas. Eu gostava de falar diretamente com a pessoa", diz Fiorio.
Como Senna era o número um em sua lista, Fiorio o procurou primeiro: "Meu objetivo era substituir Berger por Senna em 1990, então o procurei em maio de 1989 durante o GP de Mônaco, mas Senna já tinha um contrato assinado com a McLaren para 1990 e ele não conseguiu quebrá-lo por muitas razões. Então, não encontramos uma solução naquele dia, mas concordamos em conversar sobre isso o mais rápido possível. Depois liguei para Alain Prost para pedir a ele para dirigir por nós em 1990".
Alain Prost e Cesare Fiorio em 1990.
As negociações com Prost estavam indo bem e rápido. Na época, ele estava tendo dificuldades com Senna na McLaren. A guerra aberta com Senna resultou no acidente bem conhecido em Suzuka no final da temporada de 1989, dando o título naquele ano para Prost e deixando-o livre para se juntar à Ferrari, depois de seis temporada com a McLaren e 3 títulos. Prost tornou sua decisão pública durante o GP italiano em Monza para o deleite dos Tifosi.
Fiorio lembra muito bem desse tempo: "Alain precisava de um novo desafio e um pouco de ar fresco, então ele estava aberto à minha oferta desde o início. Ele me deu o seu de acordo em um quarto de hotel perto de Hockenheim na sexta-feira antes do GP da Alemanha. "
Nigel Mansell, Cesare Fiorio e Alain Prost, bons, mas não o suficiente para Fiorio. Ele queria conseguir Senna na Ferrari!
Mansell e Senna batem-se no GP do Estoril e, Portugal 1989.
1990: Prost foi para a Ferrari, Senna estava agora no controle da McLaren, junto com o ex-piloto da Ferrari, Gerhard Berger, que foi para a Mclaren depois de três anos na Scuderia. Essa situação fez com que Fiorio assinasse com Mansell por mais um ano e tentasse conseguir Ayrton para 1991 com Prost.
Ayrton e Gerhard no México em 1990, comemorando sua 50ª pole position, mas foi Prost e Ferrari quem venceram a corrida...
"AYRTON MANDOU UM CARRO, EU FUI ATÉ A CASA DELE E PASSEI O DIA TODO ESCREVENDO AS BASES DE UM ACORDO PARA ELE PILOTAR PELA FERRARI." CESARE FIORIO
Agora você provavelmente está se perguntando se colocar Senna e Prost novamente juntos na mesma equipe era realmente uma boa ideia, mas Fiorio não tinha medo: "Apesar de tudo o que estava sendo dito sobre essa dupla infernal, eu tinha certeza que poderíamos fazê-los funcionar com bom relacionamento ou pelo menos em uma rivalidade positiva, o jeito latino de fazer as coisas teria funcionado melhor que o anglo-saxão, mais do que isso, eu sempre acreditei que um time seria melhor com dois campeões do que se tivéssemos um com um segundo piloto inútil. Eu estava pronto para assumir riscos por essa política e lidar com a rivalidade interna. Melhor ter muitos problemas do que não ter o suficiente e o melhor desses problemas na equipe."
A Ferrari teve o seu melhor desde uma década com Prost e Mansell (seis vitórias naquele ano), Fiorio ainda queria ter Senna para 1991 e 1992: "Ayrton queria pilotar para a Ferrari, eu podia sentir seu desejo e o meu."
Em 1990, o equilíbrio de poder entre a Ferrari e a McLaren se estabilizou e, se Senna venceu a primeira corrida da temporada em Phoenix, Prost e Ferrari conquistaram a segunda no Brasil em solo de Senna. Foi nessa ocasião que Fiorio se aproximou novamente de Senna: "Ayrton mandou um carro para me pegar no hotel Transamérica, em São Paulo. Fui até a casa dele e passei o dia todo, das 9 da manhã às 7 da noite, para redigir um contrato. Éramos apenas nós dois. De vez em quando, seu pai Milton ou sua irmã Viviane passavam para ver se precisávamos de algo. Falamos sobre ética e métodos de trabalho dentro da Scuderia e todas as coisas que eu queria mudar para melhores resultados."
Senna e Fiorio escreveram a base de um contrato para Ayrton para dirigir pela Ferrari em 1991 e 1992
Ayrton e Cesare se deixaram cheios de esperança e decidiram se encontrar novamente no futuro próximo. O futuro próximo foi a quinta-feira antes do GP da França, no dia 8 de julho em Le Castellet: "Naquele dia eu voei para Nice com o jato particular da Ferrari e a partir daí fui para a casa de Ayrton em Mônaco. o Palácio de Houston, na Av Princesse Grâce. Esse dia foi um verdadeiro ponto de virada para nós dois."
O encontro deles e o timing foram perfeitos... Naquela época da temporada, Fiorio e Ferrari tinham dois grandes atrativos para Senna. Primeiro, a Ferrari estava em ótima forma e havia acabado de vencer no México, apesar de Prost ter começado em 15º lugar no grid. Em segundo lugar, a Ferrari acabara de contratar o engenheiro Steve Nichols, da McLaren, com quem Senna conquistara seu primeiro título em 1988.
Então Fiorio e Ferrari estavam em uma posição forte e sabiam disso: "Falamos de 20% dos detalhes que não havíamos terminado no Brasil. Eram realmente detalhes, como o fato de ele ter sido patrocinado pelo Nacional, um banco brasileiro em seu boné, e que na Ferrari, deveria ser o lugar para a Philipp Morris."
"No final da discussão, Ayrton e eu concordamos em tudo. Quinta-feira à tarde fomos ao circuito, tudo estava quase pronto. Ayrton acabou de me pedir dois dias para tomar sua decisão final. Dinheiro? Não era um problema ou o que importava O que ele pediu foi normal para um campeão de sua estatura naquela época. Na verdade, nós não conversamos muito sobre isso, ele estava mais ligado com o trabalho da equipe, quem projetaria o carro, quem seria seu engenheiro. Nós tínhamos Steve Nichols conosco e foi um ponto mais importante para ele do que dinheiro."
Isso foi planejado para 1991 e 1992. Senna dirigindo pela Ferrari. No verão de 1990, tudo estava pronto para acontecer.
Cada peça do quebra-cabeça parecia se encaixar: Senna dirigindo pela Ferrari! Em breve ! A questão é, se Fiorio não teria problemas em reunir novamente Senna e Prost na mesma equipe, o que Senna pensava? "Isso não incomodou muito o Ayrton". Podemos claramente imaginar a motivação e o desafio que gerou para Senna. Ter que vencer Prost no mesmo carro não era um problema para Senna.
No domingo, 8 de julho, Prost venceu o GP da França, foi o terceiro da temporada e o segundo consecutivo. "Isso apressou as coisas", diz Fiorio, "na manhã de segunda-feira, Ayrton me enviou uma carta oficial de acordo (veja a foto abaixo) confirmando todos os pontos que discutimos".
Segunda-feira 9 de julho de 1990 é uma data para lembrar, Ayrton assinou sua intenção de dirigir para a Ferrari para 1991 com uma opção para 1992! Fiorio tinha feito isso, Senna iria dirigir pela Ferrari ao lado de Prost em 1991! A elaboração do contrato final poderia começar.
Aqui está a primeira metade do pré-contrato assinado por Senna e enviado por fax para Cesare Fiorio em 9 de julho de 1990. Desculpe por má qualidade.
Aqui está a segunda metade. Desculpe eu não poder encontrar melhor. Mas vamos lá, isso é história.
Duas semanas depois, Prost ganhou seu terceiro GP consecutivo no Reino Unido em Silverstone. Ferrari e Fiorio estão em estado de graça e no ano que vem Senna seria a cereja no topo do bolo.Mas foi aí que as coisas começaram a dar errado...
Isto é o que nós deveríamos ter visto em 1991... Uma Ferrari vermelha com o capacete amarelo de Ayrton Senna enfeitando... Infelizmente não deu certo.No verão de 1990, Senna havia assinado um pré-contrato com a Ferrari e Fiorio para dirigir para eles, enquanto Prost e Ferrari acabaram de vencer 3 corridas seguidas, México, França e Inglaterra.
As coisas pareciam perfeitas, mas "foi exatamente quando as coisas deram errado", como lembra um amargo Cesare Fiorio, cerca de dez anos depois, em uma entrevista. "Quando vim para a Ferrari no começo do ano de 19 89, ninguém parecia se importar com a Scuderia. É da sua conta, fazer o que quiser com ela... Mas quando as vitórias voltaram e que o sucesso estava ali novamente, graças aos nossos esforços, muitas pessoas tentaram fazer com que elas ganhassem com as vitórias!"
"UM DIA FUSARO O PRESIDENTE DA FERRARI DECIDIU QUE OS PROBLEMAS DA 'GESTIONE SPORTIVA' FORAM RESOLVIDOS E QUE ELE NÃO PRECISAVA MAIS DE MIM." CESARE FIORIO
"Entre eles, havia o presidente da Ferrari na época, Piero Fusaro. Ele era um burocrata e estava claramente sofrendo por ser deixado sozinho para liderar a Ferrari, enquanto eu estava tendo um período incrível com a Scuderia."
Fusaro era um homem de verdade no campo da FIAT, mas ele não estava na F1 nem no esporte em geral. A Ferrari estava aproveitando seu melhor desempenho no esporte desde 1979 e: "um dia resolveu que os problemas da 'gestione sportiva' estavam resolvidos e que ele não precisava mais de mim!!!", diz Fiorio. "Ele decidiu abrir uma guerra contra mim e sua estratégia para se livrar de mim foi simples... Enquanto a vitória no campeonato se aproximava de Prost, Fusaro foi direto a Alain dizer que eu ia contratar Ayrton como colega dele para 1991."
Por causa disso, a relação entre Alain Prost e Cesare Fiorio deteriorou-se rapidamente. Prost viu isso como uma traição ao deixar a McLaren porque era "impossível trabalhar com ele (Senna)".
Piero Fusaro (no centro) com Enzo Ferrari (à sua esquerda) e Luca Di Montezemolo (à sua direita).
"Eu tinha planejado explicar tudo para Alain, mas antes eu queria ter certeza de que tudo estaria certo e selado com Ayrton. Falando com Prost e vendendo minhas intenções, Fusaro sabia exatamente o que estava fazendo. Ou Alain deixaria a equipe qualquer caso, eu teria que pagar com o meu lugar na Ferrari."
"FUSARO ME LIGOU PARA DIZER QUE AS NEGOCIAÇÕES COM SENNA HAVIAM ACABADO E QUE ELE NÃO VIRIA PARA A FERRARI. FOI O PIOR CENÁRIO, UM DESASTRE TOTAL.COMO EU PODERIA DIZER ISSO PARA O AYRTON?" CESARE FIORIO
Na verdade, foi até simples: "Um dia, Fusaro me ligou para dizer que as negociações com Senna haviam acabado e que ele não viria para a Ferrari. Foi o pior cenário, um desastre total. Como eu poderia dizer isso para Ayrton? Foi uma completa rejeição do meu presidente. A única solução para mim a partir desse ponto foi deixar a Ferrari. Para salvar as aparências na frente da imprensa, dissemos a eles que ter Prost e Senna na mesma equipe era missão impossível e o nosso patrocinador comum com a McLaren (Philipp Morris) não ficara feliz em ver a Ferrari cortando a grama sob seus pés."
Tudo isso por esse resultado no final. A última parte da temporada de 1990 foi um desastre para a Ferrari, primeiro com o incidente de Mansell-Prost no início do GP de Portugal e depois com o "Vendetta" de Senna batendo no Prost em Suzuka.
Agora, cerca de 28 anos após o GP de Suzuka de 1990 e sabendo dessa história, o controverso acidente de Senna contra Prost na primeira curva do Grande Prêmio do Japão tem outra dimensão. Não é difícil imaginar o quão furioso e enojado Ayrton estava na época. Esta é apenas outra razão para isso.
Repensar o acidente agora que você sabe de toda essa história... Faz sentido?
Em uma entrevista em 2000 para a revista francesa Autojournal, Fiorio ainda está convencido de que ter Senna e Prost como colegas de equipe na Ferrari era possível: "Alain era um profissional, tricampeão mundial, não era um novo confronto com Ayrton que poderia assustá-lo. Por outro lado, quando eu estava no rali, já passei por esse tipo de situação, sempre fiz o meu melhor para ter os melhores pilotos e sempre consegui que desse certo, campeões são difíceis de administrar, mas campeões dão a você vitórias, idiotas nunca."
Depois de todos esses ano, há alguma animosidade entre ele e Prost? "Não. Nem um pouco. Dois anos depois, entendemos que Fusaro nos colocara um contra o outro. E quando Alain comprou a Ligier em meados dos anos 90, trabalhamos juntos novamente e tudo correu bem."
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| Ayrton Senna, Luca di Montezemolo e Giovanni Agnelli, na época presidente da FIAT |
"É realmente doloroso pensar nisso porque é muito triste. A Ferrari teria sido realmente muito difícil de bater em 1991. Teria sido muito difícil para os nossos adversários."
Em uma entrevista de 2014, Fiorio quando dos 20 anos da morte de Senna, disse: "A verdade é o que era em 1990. Claro que eu não fiz isso sozinho para minha satisfação pessoal. Fiz isso pela Ferrari. Desde o dia em que cheguei em Maranello, fiz o que pude para fazer da Ferrari a melhor e mais poderosa equipe. E, naqueles dias, quem mais poderia conseguir isso do que Ayrton e Alain? Eles provavelmente teriam escrito as melhores páginas da história da Ferrari."
EPÍLOGO
Em maio de 1991, logo após o GP de Mônaco, Cesare Fiorio foi demitido da Ferrari por Fusaro pelos resultados ruins da Scuderia nos primeiros GPs da temporada. Nem Prost nem Alesi venceram uma única corrida naquele ano. Depois do GP do Japão, Prost foi demitido da Ferrari por Fusaro porque ele disse que "o carro que estava dirigindo era como um caminhão". O próprio Fusaro foi demitido pela FIAT por toda a sua decisão estúpida. Luca di Montezemolo foi contratado, de volta à Ferrari como presidente e tentou inutilmente trazer Prost para 1992. A Ferrari entrou no período menos bem sucedido de sua história e não conseguiu uma única vitória antes de 1994. Esse ponto baixo passou até 1996 e o local de encontro com Michael Schumacher.
Ayrton Senna, por outro lado, ganhou o título mundial de 1990 e 1991 com a McLaren-Honda
Senna no pódio em Suzuka depois que ele ganhou seu terceiro campeonato mundial em 1991.
Em 1992, não havia competição real... Prost depois de uma desastrosa campanha teve um ano sabático, e Mansell e Williams-Renault foram quase imbatíveis. O contrato de Senna com a McLaren estava chegando ao fim após o último GP e ele sabia antes de qualquer outra pessoa (graças a seu relacionamento próximo com a Honda) que a Honda anunciaria durante a temporada sua retirada da F1.
"EU DISSE A AYRTON QUE TALVEZ PUDESSE TENTAR RESOLVER AS COISAS NA SCUDERIA PARA ELE SE JUNTAR A MIM MAIS TARDE. MAS O PLANO DELE NÃO DEU CERTO, E O MEU DEU CERTO." GERHARD BERGER
Ayrton Senna estava desesperado para pilotar para a Williams, pois era o carro que venceria. Até mesmo ofereceu a Frank Williams para dirigir de graça em 1993. Mas havia um pequeno problema... Havia Prost e havia a Renault/Elf. A Renault e a Elf queriam Prost, e o piloto francês não queria correr contra Senna na mesma equipe novamente. Por último, mas não menos importante, Mansell, que fora campeão mundial em 1992 com a Williams, não queria ter Prost como companheiro de equipe mais uma vez...
Para encurtar a história, Mansell não teve escolha a não ser se aposentar da F1 para competir na CART nos EUA e Prost assinou contrato com a Williams-Renault para 1993 e 1994 com um veto para Senna. Ayrton finalmente ficou mais um ano na McLaren antes de se mudar para a Williams em 1994. Prost ganhou seu quarto título no campeonato de 1993 e se aposentou no final da temporada... Porque Senna iria pilotar pela Williams em 1994.
Então, nesse contexto, Senna conversou com outra equipe em 1992 para ver qual era sua outra opção. A Ferrari mais uma vez era uma possibilidade. Infelizmente, como vimos, a Ferrari estava em grande forma na temporada 1990. 1992 foi a pior temporada de todos os tempos desde 1980.
As coisas estavam esquentando na McLaren também, já que a Honda anunciou que deixaria a F1 no final da temporada. Gerhard Berger, melhor amigo e colega de equipe de Senna, decidiu voltar para a Ferrari, onde ele só tinha boas lembranças de seu tempo anterior com a Rossa (1987-1989). A ideia era que talvez Senna voltasse a ser colega de Berger mais tarde.
Ayrton Senna e Gerhard Berger, melhores amigos da vida e companheiros de equipe na McLaren entre 1990 e 1992. Aqui em Spa-Francorchamps, Bélgica, 1992.
"Em um estágio, Ayrton veio até mim e disse: 'Gerhard, a Honda estará saindo'." Isso foi antes mesmo de Ron saber - Ayrton foi o primeiro a saber que a Honda estava saindo, e depois disso, Ron soube: Ayrton disse: 'Eu quero ganhar, vou sair, vou para a Williams, acho que é hora de ir para o melhor carro, e o melhor carro agora é a Williams. Foi nessa época que a Ferrari (com o compatriota Niki Lauda na Ferrari como consultor) se aproximou de mim novamente, e por alguma razão eu decidi voltar para a Ferrari. Eu tenho que dizer que recebi uma oferta financeira muito boa, e decidi ir, sabendo que a Ford provavelmente substituiria a Honda."
"Então, Ayrton estava certo de estar na Williams, mas eu me lembro dele me dizendo: 'Eu acertei tudo com o Frank e agora ele mudou de ideia novamente'. As coisas estavam indo para trás e para frente, até que ele teve que ficar na McLaren. Eu sabia que ele não tinha assinado nada e estava lutando. Eu disse a ele que talvez pudesse tentar resolver as coisas na Scuderia para ele se juntar a mim mais tarde. o plano dele não deu certo, e o meu funcionou."
Senna e Berger poderiam ter sido companheiros de equipe novamente na Ferrari e, 1994 ou mais tarde, talvez. Aqui em Spa-Francorchamps em 1993, se divertindo no aniversário de Gerhard no motorhome da Ferrari.
"É claro que a Ferrari não foi grande em 1993. Eu esperava que John Barnard resolvesse nossos problemas, mas não conseguiu. Enquanto isso, Ayrton venceu cinco corridas na McLaren - mas não tenho certeza se as vitórias foram boms sinais. Mais devido a Ayrton do que qualquer outra coisa."
Finalmente, uma semana antes da corrida em Spa-Francorchamps, em 1992, Ayrton teve uma longa reunião com Niki Lauda (que é o único piloto que foi campeão com as duas maiores equipes da F1) para se mudar para a Ferrari, mas não o fez. "Lauda lamentou dizer que ele não poderia me prometer um carro vitorioso para 1993. Ele garantiu que eu seria um deus no time, mas ele só poderia me prever ganhar o campeonato em 1994." Na época, Senna desistiu da ideia de correr para o time italiano. Vale a pena notar que Lauda era na época um consultor da Ferrari, contratado por Luca di Montezemolo (Presidente da Ferrari e seu ex-Team Manager quando Lauda ganhou seu primeiro título com a Ferrari em 1975).
Ayrton teve uma reunião com Lauda em 1992 e queria organizar sua saída da McLaren para a Ferrari com ele.
No próximo GP de Monza na Itália, Mansell anunciou o fim de sua carreira na Fórmula 1 e a Honda a retirada da F1. 1992 foi realmente um ano para esquecer para Senna, mesmo tendo 3 vitórias fantásticas.
Em 1993, Jean Todt (que agora é o presidente da FIA) era recém-chegado à Ferrari e contratado por Luca Di Montezemolo, e tinha a responsabilidade de levar de volta o Cavallino Rampante ao topo. Um pouco como Cesare Fiorio no passado, Todt queria o melhor para sua equipe. Ele teve Jean Alesi desde 1991 e Gerhard Berger acabara de voltar para o campeonato de 1993. John Barnard também estava de volta à Ferrari, mas levaria tempo e Jean Todt teve uma ideia melhor.
No 20º aniversário da morte de Ayrton, Todt revelou que um encontro entre ele e o brasileiro ocorreu em uma noite de 1993, no Villa d'Este, no lago di Como, na Itália. Senna expressou seu interesse em deixar a McLaren pela Ferrari, uma oportunidade que Todt não pôde cumprir, já que a Scuderia já tinha contrato com Gerhard Berger e Jean Alesi: "Ele queria vir para a Ferrari e a Ferrari o queria. Eu tive uma longa reunião com ele em 1993 e fiquei fascinado com o som de sua voz. Ele falou muito devagar e com muita clareza."
Jean Todt e Ayrton Senna se encontraram em 1993 para ver o que era possível no futuro próximo.
Você pode se perguntar por que depois de todas essas tentativas fracassadas no passado, Senna ainda queria pilotar para a Ferrari? Simples, em 1993, Senna estava competindo com um McLaren-Ford fraco (e o fez de forma muito brilhante) contra Prost na Williams-Renault. Prost tinha um veto a Senna em seu contrato assinado com a Williams até 1994. Então, Senna ainda estava procurando um lugar em 1994. Infelizmente, de novo... não foi possível.
"DE SENNA, LEMBRO-ME DE SUA BONDADE E SUA NATUREZA SIMPLES E QUASE TÍMIDA, QUE CONTRASTAVA TOTALMENTE COM O SENNA PILOTO." LUCA DI MONTEZEMOLO
1994 foi aquela temporada horrível onde a FIA decidiu proibir todos os dispositivos eletrônicos que fizeram a Williams-Renault tão superior. Senna assinou com a Williams após a retirada de Alain Prost. Mas por causa do novo regulamento, o Williams FW16 não era o que deveria ser e Senna não estava se sentindo bem no time de Frank Williams. Mesmo ele fazendo 3 pole position em seus 3 últimos GP's, Ayrton teve tristemente 3 abandonos nestas corridas, sendo o último o lugar de sua trágica morte.
Logo antes do fatídico GP de San Marino, Luca Di Montezemole, presidente da Ferrari na época, teve uma reunião com Senna sobre ele se juntar à Ferrari em 1995 ou 96: "Ele queria vir para a Ferrari e eu o queria na equipe", disse Montezemolo em uma homenagem a Senna postada no site da Ferrari. "Quando esteve na Itália para o Grande Prêmio de San Marino, nos encontramos em minha casa em Bolonha na quarta-feira, 27 de abril. Ele me disse que gostou muito da posição que tomamos contra o uso excessivo de aparelhos eletrônicos para dirigir. Que se permita que a habilidade de um piloto brilhe.
"Conversamos por um longo tempo e ele deixou claro para mim que queria encerrar sua carreira na Ferrari, chegando perto de se juntar a nós alguns anos antes. Nós concordamos em nos encontrar novamente em breve, para ver como poderíamos fazer isso. Nós estávamos de acordo que a Ferrari seria o lugar ideal para ele continuar sua carreira, que até agora tinha sido brilhante, até mesmo única. Infelizmente, o destino roubou todos nós de Ayrton e de Roland Ratzenberger. Um dos finais de semana mais tristes da história da Fórmula 1."
Ayrton Senna e Luca Di Montezemolo, presidente da Ferrari.
Apesar de nunca ter tido a chance de trabalhar diretamente com o grande brasileiro, Montezemolo revelou que era fã de Senna, o piloto e o homem: "De Senna, lembro-me de sua gentileza e sua natureza quase tímida, que contrastava com Senna, o piloto, sempre buscando o melhor; sempre gostei do estilo de corrida de Ayrton, assim como todos os grandes campeões, ele tinha uma incrível vontade de vencer e nunca se cansava de buscar a perfeição, tentando melhorar o tempo todo. Na qualificação, mas também um grande lutador nas corridas, quando ele sempre lutou com unhas e dentes."
Eu realmente espero que você tenha gostado de ler isso, pois gostei de escrevê-lo e pesquisá-lo. Eu deixo você aqui com algumas citações de Ayrton falando sobre a Ferrari. Elas vêm da imprensa italiana e foram compiladas. A última é do grande amigo de Ayrton, o fotógrafo Angelo Orsi, que trabalhou para a Autosprint durante anos.
Em mais de uma ocasião, Ayrton Senna foi provocado por perguntas desconfortáveis feitas por jornalistas sobre um provável futuro na Ferrari. O brasileiro, que raramente escapava das entrevistas, sempre respondia de uma maneira muito misteriosa, fazendo todos entenderem que vestir o macacão da Ferrari seria um sonho para ele também. Aqui estão algumas delas...
"Ainda tenho tempo pela frente e tenho certeza que vou dirigir uma Ferrari vermelha um dia. É um dos meus sonhos".
"O que posso dizer é que a Ferrari continua sendo um mito para mim".
"É verdade, eu sou o adversário da Ferrari, mas apenas em um nível esportivo. Eu sinto que as pessoas me amam. É normal que às vezes eles me vaiem, mas eles não fazem isso com malícia".
"Vê esses tributos lá? Quando eu correr pela Ferrari, eles virão do entusiasmo!" (Referindo-se aos tribunos de Imola em uma entrevista informal com Angelo Orsi).
Ayrton Senna 1960-1994
Se apenas...
https://drivetribe.com/p/ayrton-senna-and-the-ferrari-connection-JZuTDASPQFW94H9IE96PHg?fbclid=IwAR0lj59LklUObc__YKm7VQOQUIR_N_jbbFJiXeE3BufUtY-mYXRxpkLVonY&iid=Dbcg-Uu6Qgq7lC04bC7-2g




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